Cuidar do outro

26/abril/2013

Num primeiro momento, nós temos que nos tornar nosso Ser verdadeiro. É uma tarefa. A tarefa do homem é tornar-se um ser humano. E é a partir disso que vai despertar nele a preocupação com o outro. Mais nos tornamos nós mesmos, mais descobrimos que nosso Ser é relação. É desta descoberta de si mesmo que vai nascer o desejo de cuidado do outro. Neste momento eu me torno responsável por tudo e por todos.

Esse cuidar não é puramente psíquico. É uma sensação física, de sentir em seu próprio corpo o corpo de nossa família, o corpo da sociedade, o corpo do Universo e é necessário não rejeitá-lo. Mas não temos também que superajuntar sofrimento, porque o que existe já é suficiente.

Trata-se, porém, de ser feliz por todos. Sermos felizes de um modo não egoísta e aceitarmos que nunca seremos totalmente, completamente felizes. Sermos felizes o tanto que podemos ser, mas com essa abertura que nos impede de nos fecharmos na ilusão, na complacência. É a partir dessa abertura, que nos tornamos capazes de ir à direção daquele que consideramos como um estranho.

O primeiro sinal que nos toca na experiência do transpessoal é que nós não temos mais medo do que antes nos fazia medo. E esta é também uma experiência que podemos sentir em nosso próprio corpo. Assim como no caso do perdão. Podemos perdoar alguém com a nossa cabeça e também com o nosso coração, mas quando estamos na presença da pessoa que nos fez mal, nosso corpo sente uma espécie de repulsa. Existem em nós tantas memórias que provocam esta reação! E a libertação do medo não é somente uma coisa psíquica ou intelectual. É também algo físico. Quando nos aproximamos desta ou daquela pessoa, sentimos que o nosso corpo fica calmo, quando antes havia uma tensão, uma contração. Este é um sinal de que alguma coisa se limpou em nossa memória e que nós fomos libertados de um peso de memória que entranhava o nosso corpo.

Assim há a habitação de uma força confiante, não há mais nada a perder, nada pode ser tirado. Não há mais medo de perder a reputação, a estima de si mesmo, e não se espera mais dos outros. Os outros podem pensar o que quiserem, não se quer mais mentir. Ser autêntico. É nesta autenticidade que se encontra a paz e a força. Nós não temos nenhum poder sobre uma pessoa que é autêntica, sobre alguém que é honesto em si mesmo. Você pode lhe dizer tudo o que quiser e não o fará tremer. Mas quem mente a si mesmo está dividido em si mesmo, esse vai tremer.

E é a partir dessa unidade reencontrada, do desejo pessoal em unidade com o seu desejo transpessoal que vamos encontrar a força para enfrentar as dificuldades da vida.

Fonte: Caminhos da Realização – Jean-Yves Leloup

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